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XX Encontro Nacional de Geógrafos/as
20/Julho/2022 às 0:00 - 24/Julho/2022 às 23:30
R$35A pandemia da COVID-19 infelizmente não acabou, e todo cuidado é pouco. A pandemia persiste no mundo, e em especial em nosso país, onde o governo age sem o real compromisso com a vida.
Em virtude da ainda grave ameaça a saúde pública e das incertezas que a pandemia provoca, especialmente com a circulação de variantes altamente contagiosas, e em razão do nosso compromisso e responsabilidade com a vida, com o bem-estar das pessoas e respeito a ciência, é que a Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB), decidiu pela realização do XX Encontro Nacional de Geógrafos, de forma virtual, no período de 20 a 24 de julho de 2022.
Cabe darmos continuidade a um movimento que traga mobilização, luta e sobretudo, esperança. Nesse sentido assumimos esse importante desafio — organizar um ENG através de plataformas virtuais e que possa gerar engajamento e interação, participação e compromisso, debates acadêmicos e fazeres políticos. Temos a certeza que com a sua participação poderemos alcançar esses objetivos.
TEMA: “Brasil-Periferia: a Geografia para resistir e a AGB para construir”, com a seguinte ementa deliberada na mesma RGC:
EMENTA: As conjunturas neoconservadoras e neoliberais que se desenham em escala mundo no primeiro quartel do século XXI têm se expressado de modo particular nas periferias do capitalismo mundial. A questão da periferia não se evidencia como localização, mas como condição de estar à margem do poder e na dependência ao centro capitalista, condicionando a reprodução das desigualdades socioeconômicas de milhares de trabalhadores e trabalhadoras. Nesses termos, a condição periférica é uma realidade do Brasil em relação a sua posição na organização do capitalismo mundial, que reverbera na realidade produzida dentro de suas próprias fronteiras.
Os fundamentos estruturais da sociedade capitalista e a colonialidade dão o tom dos discursos classistas, fascistas, racistas, machistas, homofóbicos, xenofóbicos e higienistas que têm se acentuado no campo de disputa da política contemporânea. A pandemia de Covid-19, causada pelo vírus SARS-CoV-2, vem produzindo desde o início do ano de 2020 profundas mudanças não apenas de ordem epidemiológica e biomédica em escala global, mas também impactos sociais, econômicos, políticos, ambientais e culturais sem precedentes na história recente. Na América Latina, e em especial no Brasil, a partir da segunda década do século XXI, a democracia enfrentou inúmeros desafios. Com a emergência do cenário atual pandêmico, países que já enfrentavam profundos retrocessos democráticos, perda de direitos civis, trabalhistas, previdenciários, educacionais e de acesso aos bens básicos foram ainda mais afetados socioeconomicamente pela crise sanitária.
Esse quadro alerta para a necessária defesa da Ciência contra o negacionismo, num contexto de desmontes da saúde pública e de inúmeros retrocessos circunscritos na nossa sociedade. Diante desse contexto, as dinâmicas educacionais, urbanas, agrárias e ambientais expõem contradições estudadas pela e por meio da ciência geográfica em suas diversas escalas, o que possibilita criar e fortalecer mecanismos de resistência às hegemonias político-econômicas. A geografia emerge enquanto campo de crítica social para questionar as estruturas hegemônicas, as subordinações imperialistas e sub-imperialistas, hierarquizações e normatizações que escondem as diversidades sob as quais nossa sociedade é construída e se reproduz. Na contramão dessa conjuntura neoconservadora e neoliberal, a Associação dos Geógrafos Brasileiros – enquanto entidade representativa e articuladora da Geografia – tem-se construído ao longo das décadas com uma base coletiva, através das Seções Locais e de seus Encontros Nacionais. Diante do avanço das práticas autoritárias, as formas horizontais de organização da AGB surgem como potencialidade de construção de lutas e resistências.
Mais informações em eng2022.agb.org.br.